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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Governo francês lança video online contra o Jihadismo

No rescaldo da operação terrorista do Charlie Hebdo, e com a noção da cada vez maior presença de apelos jihadistas pelas redes sociais e que usam a Internet para propagar a sua mensagem de angariação de membros, o Governo francês resolveu levar a sua mensagem ao mesmo media.


Assim, desde ontem que circula pelas redes sociais, um webvideo, colocado no Dailymotion, com uma mensagem desmistificadora dos apelos radicais islâmicos.

O vídeo, com imagens muito gráficas da realidade da guerra e tortura realizadas pelo denominado estado islâmico, contrapõe as mensagens habitualmente veiculadas pelos radicais.

O vídeo, em 24 horas tem mais de 500 mil visualizações, e dissemina também a hashtag #StopDjihadism pelas redes.




#Stopdjihadisme : Ils te disent… por gouvernementFR


quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

O Charlie e as redes


Não vou falar no assunto em si, repugnante que é.
Vou falar da “resposta” das redes sociais e da Internet, no seu todo ao assunto e da resposta avassaladora que as mesmas potenciam.

(Sei que este post vai ficar rapidamente desactualizado, mas não quis deixar de o escrever.)

Logo no dia de ontem, as milhares de pessoas que se juntaram quer na Praça da República em Paris, quer um pouco por todo o mundo, tiveram como elo de ligação as redes sociais, em especial o Twitter.

A hasthag #JeSuisCharlie tornou-se, em poucas horas, a mais popular no Twitter, gerando mais de três milhões e meio de tweets (and counting...).
Já hoje, e numa tentativa de demonstrar que o terrorismo não pode ser confundido com a religião muçulmana, a hashtag #RespectForMuslims é também um trend de topo

Neste link pode-se ver, em tempo real, a disseminação da hashtag pelo mundo




E, já que falo de twitter, inúmeras personalidades de todo o mundo – para além dos media em particular - tem usado essa rede em especial para demonstrar a sua solidariedade para com as vitimas, caso de Albert Uderzo (criador de Asterix) que publicou a imagem abaixo,




É tambem o caso de Lucille Clerk, uma designer francesa que publicou a imagem seguinte e que se está a tornar viral (primeiramente atribuiu-se esta imagem ao activista britânico Bansky)



Na web, a Google, logo no dia de ontem, alterou a sua homepage, colocando um laço preto em destaque, e hoje apresenta, sem seu lugar a imagem “Je Suis Charlie” que este caso tornou universal.




O Guardian avança também que Sergey Brin e Larry Page, CEOs da Google vão avançar com 320 mil euros para que a publicação da próxima quarta-feira do Charlie Hebdo atinga o milhão de exemplares.

Também no Facebook se multiplicam as imagens simples mas tão fortes, de letras brancas sobre um fundo negro.
Artistas como Johnny Haliday publicam vídeos como o abaixo:






Ou, por cá, os nossos UHF, por exemplo






E é também no Facebook que pululam as fotografias de milhares de pessoas em concentrações um pouco por todo o mundo, em suas casas e locais de trabalho, utilizando-as como expoente máximo da tal “liberdade de expressão” que os terroristas tentaram destruir.

sábado, 6 de dezembro de 2014

O novo filme de James Bond e as redes sociais

Foi anunciado exactamente às 11h de 5ª feira passada, o nome e elenco do novo filme de James Bond, que deverá estrear em Outubro de 2015.

Chama-se SPECTRE e o elenco conta com Christoph Waltz, Dave Bautista, Rory Kinnear,  Ben Whishaw, Naomie Harris, Ralph Fiennes, Andrew Scott, Monica Belluci e, claro, Daniel Craig.

Para os fãs da série, nos quais me incluo, só o nome do filme - referência directa à organização terrorista que apareceu logo nos primeiros filmes do franchise (nomeadamente no Dr. No), com o seu lider, o arqui-vilão Ernst Starvro Blofeld (aquele que assassina a única esposa de Bond, numa cena inesquecível filmada por cá, nas curvas do Guincho) - são motivo de grande regozijo, assim como o novíssimo Aston Martin DB10, desenhado propositadamente para este filme.

Mas não é disso que falo aqui. O que quero ressaltar é a mestria com que a equipa da EON/MGM tratou a comunicação digital desta apresentação:

- Em primeiro, com diversos teasers nas redes sociais (especialmente no Twitter e facebook oficiais) a apontar a data e hora desta apresentação. Os teasers começaram a 007 dias da apresentação e todos os dias diminuía um número.


Teaser diário no Twitter e Facebook



- Em segundo com uma cobertura eximia do evento e pré-evento no twitter, com fotos, informações e teasers.

Imagem postada no twitter minutos antes da apresentação


- Depois, com um livestreaming da apresentação devidamente preparado e encenado, como "manda a lei"... com pre-credits, separadores, realização, apresentador, clips de filmes anteriores, histórias, curiosidades etc. 2.5M de pessoas assistiram em directo no Youtube.

Apresentação durante o Live


- E por último, com o teaser trailer do filme, a ser despoletado nas redes sociais nos segundos seguintes à sua apresentação em palco (segundos mesmo !)



E, ainda, o pós-evento com igual cobertura nas mesmas redes, com informações sobre o evento (a roupa dos actores, história, etc) e, obviamente, com o reprise do video da cobertura em directo.

Logo a seguir à apresentação...


Realmente isto não é para quem quer... é para quem sabe.


sexta-feira, 19 de setembro de 2014

O que há numa rede social?

O que há numa ‘rede social’ como o Facebook? Tudo, nada, alguma coisa…

Comecemos pelo princípio. Uma rede é constituída por nódulos, laços e fluxos. Um nódulo é um ponto distinto de uma rede. Um laço liga um nódulo, pelo menos, a outro. Um fluxo é aquilo que circula entre os nódulos através do laço. É a junção específica das qualidades destes três elementos que constitui uma rede.
O que significa, olhando para as redes sociais na internet, que o sentido das mesmas passa em grande medida pelo teor dos fluxos que as constituem, os laços que ligam os seus participantes e os propósitos a partir dos quais se formam.

Quer isto dizer que as redes sociais digitais não são todas sociais do mesmo modo, e mesmo quando o são aparentemente (na sua forma), não o são necessariamente nos seus propósitos. Podemos organizar-nos em rede para ajudar a salvar uma espécie em vias de extinção, tal como o podemos fazer para obter conteúdos pornográficos ou para planear um atentado.

O que acontece então em redes como o Facebook? Tudo isto e mais do que isto, incluindo conteúdos anódinos ou apenas relevantes para quem os criou e decidiu divulgar. Na verdade, em muitos casos nada sabemos (ou pouco) acerca da natureza dos laços que ligam as várias pessoas em rede, mesmo quando fazemos parte (por vezes inadvertidamente) das mesmas. Recebemos pedidos de amizade de pessoas que desconhecemos, do mesmo modo que nos recordam constantemente que temos (pelo menos) um amigo em comum com estas pessoas.

A pressão para estar conectado e alargar (indefinidamente) a nossa rede, anda a par da pressão para estar sempre disponível e acessível, a qualquer hora e em qualquer lugar. Minutos ausentes da rede podem implicar perder informação ou, pior do que isso, ser deixado de fora de algo importante que ocorreu ou que está para ocorrer.

Danah boyd, no seu livro "It’s Complicated", a propósito da utilização de redes sociais por adolescentes americanos, analisa não só as práticas destes (que servem de espelho das dos adultos) como desenvolve uma teoria mais ampla sobre os atributos das redes. Para definir aquilo a que designa públicos em rede, identifica quatro características: a persistência - ou a durabilidade dos conteúdos e formas de expressão online; a visibilidade - ou as audiências potenciais a que se pode chegar; a possibilidade de disseminação - ou a facilidade com que um conteúdo pode ser partilhado; a possibilidade de pesquisar - ou a facilidade de poder encontrar um conteúdo.

Estes atributos não são exclusivos de redes sociais como o Facebook, mas assumem uma configuração particular neste tipo de plataformas, combinando-se de forma específica.

É deste modo que podemos compreender a forma como as idiossincrasias individuais ficam disponíveis por tempo indefinido a um público potencialmente vasto que passa a ser incluído, por ligação directa ou indirecta, na rede de quem teve a iniciativa de criar um dado conteúdo (um post, uma página...) onde dá conta de acontecimentos (banais ou extraordinários) da sua vida, esbatendo a fronteira entre público e privado, mas também erodindo (e iludindo) a proximidade dos laços que ligam vários públicos em rede. Online - através de diversos suportes - todos parecem ter uma voz.

A questão será saber: quem (n)os ouve e porquê?


(Leituras sugeridas:
boyd, danah (2014), It's complicated: The social lives of networked teens, New Haven, Yale University Press.
Simões, José (2008), “De várias malhas se entretece a rede global. Diferenciação cultural, sociedade em rede e internet”, in R. Carmo, D. Melo e R. Blanes (orgs.), Globalização no Divã, Lisboa, Tinta-da-china, pp. 127-145.)



José A. V. Simões

Doutorado em sociologia, docente na FCSH-UNL e investigador no CESNOVA (FCSH-UNL). Investigador em vários projectos nas áreas da sociologia da cultura, juventude e comunicação. Actualmente, coordena o projecto Activismo juvenil em rede: media digitais, movimentos sociais e cultura participativa entre jovens activistas e a participação portuguesa no projecto europeu Net Children Go Mobile. Autor de vários artigos científicos e capítulos de livros sobre os anteriores temas, tendo já publicado 4 livros.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Disrupção na cidade - Dancing Traffic Lights

As agências de publicidade e comunicação têm, cada vez mais, de pensar fora da caixa para fazer campanhas eficazes.

E o eficaz quer dizer o disruptivo, o que abala o status-quo, o que provoca uma quebra na rotina diária, o que provoca o “awe” e o sorriso de cumplicidade.

E por outro lado, as campanhas cada vez mais se transformam em causas, defendidas, potenciadas ou mesmo criadas pelas marcas, onde o produto surge não como o personagem principal da peça mas o seu sublinhar.

É o caso da última campanha da Mercedes-Smart, por acaso gravada em Lisboa, realizada pela BBDO pela dupla criativa Lukas Liske e Daniel Schweinzer.

À causa dos acidentes de viação – nomeadamente os atropelamentos - provocados por alguma indisciplina dos peões que atravessam as estradas mesmo com o sinal vermelho, junta-se a questão “o que fará as pessoas pararem e esperarem pelo sinal verde?” e a disrupção do inesperado, da música, dança e participação na própria peça. E a disseminação nas redes sociais, claro está.

O resultado é “The Dancing Traffic Light” pertencente à campanha “We believe that #smart ideas can turn the city into a better place”.
Outro resultado foi que mais 81% pessoas que o costume pararam naquele semáforo...




E, já agora, o making-of, para quem gosta destas coisas:


quarta-feira, 16 de julho de 2014

Tweet de CR7 e outras minudências das redes

E é mesmo assim, basta uma menção de um ídolo que arrasta multidões, para que a marca associada seja automaticamente catapultada.

Cristiano Ronaldo disse, no seu twitter a 6 de Junho, em referência aos jogos de preparação para o mundial: "Come support Portugal against Mexico tomorrow at Gillette Stadium #ForçaPortugal" - e pimba!, a Gillete viu as suas menções quintuplicar nas redes sociais, isto segundo os dados do serviço Social Media Explorer da Marktest.

É o que dá ter 28.2M de seguidores no Twitter e 91.6M de fãs no Facebook.

Resta agora saber que benefício real, directo ou mesmo indirecto, a Gillete pode ter retirado do assunto...

Os dados deste serviço da Marktest dão-nos ainda conta das menções das marcas nas redes sociais, a nível nacional e em Junho deste ano.




Destaque também para as marcas que mais força televisiva exibem, caso do MEO e da NOS, devido às campanhas dos festivais de verão.

Mais dados sobre este assunto podem ser encontrados AQUI