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terça-feira, 9 de setembro de 2014

O Facebook transformou-se no FaceTube

Quem andas nestas andanças das redes sociais (e segundo os últimos números, são mais de 5 milhões, em Portugal) deve-se ter apercebido que o seu feed de notícias do Facebook está cheio de vídeos, desde a ultimo upgrade deste ano.

Pois é verdade. Com o crescimento dos smartphones, a banda larga e o always-on, cada vez mais as pessoas exprimem-se (a si e às suas experiências) através de pequenos vídeos, com pouca ou nenhuma edição.
E o Facebook apercebeu-se disso e alterou, há uns tempos, os seus algoritmos de modo a que, por um lado mais vídeos aparecessem nos feeds dos seus utilizadores, e por outro que os vídeos pudessem tocar automaticamente – grande dor de cabeça para os planos de dados.



Mas a questão aqui é que mais vídeos geram ainda mais vídeos, acima de tudo pelo fenómeno da mimicação (existe esta palavra?) que governa estas coisas.

A verdade é que o Facebook já serve à volta de mil milhões de vídeos por dia – dados da própria empresa, nesta passada 2ªfeira -  tornando-se um sério competidor para o Youtube. E destes números cerca de 65% vem de dispositivos móveis.

Sublinhando ainda mais esta tendência e a apetência do Facebook pelo mercado do vídeo online – que nos USA valerá 8bn dólares em 2016, segundo a eMarketeer – esta rede vai lançar agora o contador de acessos para os vídeos, de modo a que o utilizador consiga saber quantas pessoas na realidade viram o seu vídeo.

FaceTube!

terça-feira, 12 de agosto de 2014

O fim dos likes a-metro

Finalmente o Facebook resolveu deitar mãos a uma praga que assolou a Internet nos últimos tempos: o síndrome do “coloca um like ou não consegues ver este conteúdo”.



Forma fácil e rápida de conseguir milhares (ou pelo menos centenas) de fãs para páginas facebook, a utilização do plug-in de like foi a mina de ouro para blogs e sites de conteúdos mais ou menos sérios. O principio é simples e todos já demos por ele. Ao visitar um site aparece uma janela por cima do conteúdo que o impede de carregar a menos que se faça "like" na página de facebook do site.

Este plugin também era muitas vezes utilizado, em conjunção com código malicioso, para conseguir likes automáticos. Ou seja a pessoa acabava por fazer like numa página sem saber, apenas por visitar a mesma, sem clicar em lado nehum, ou ao clickar no "X" para fechar a popup de publicidade.

Foram tantas as reclamações a nível mundial, que a equipa de Mark Zuckerberg teve de fazer alguma coisa. Assim, a partir de 5 de Novembro próximo, os plugins do tipo serão desactivados progressivamente e será actualizado o acordo e normas de utilização da rede social para proibir e desaconselhar este tipo de práticas.

De notar ainda que o login através do facebook para comentários e outras funcionalidades se vai manter e, ao contrário do descrito acima, vai ser até cada vez mais incentivado, de acordo com a estratégia do Facebook de ser uma plataforma universal.

Até que enfim!

terça-feira, 1 de julho de 2014

O dia em que o Facebook fez de Deus

O Facebook recentemente brincou connosco. A sério. Muito a sério.

Simplesmente, em nome de um estudo comportamental que queria fazer acerca da sua própria influência na vida dos seus utilizadores, manobrou os posts que apareciam na timeline de 689,003 utilizadores, sem o seu conhecimento, de modo a que a uns só aparecessem posts emocionalmente negativos e a outros posts emocionalmente positivos.
E depois ficou à espera para ver o que essas “cobaias” escreviam nos seus próprios murais, para verificar se os seus posts reflectiam essa negatividade ou positividade a que estavam sujeitos.

Este estudo durou uma semana, decorreu em 2012 e foi levado a cabo pelo próprio Facebook em colaboração com as universidades norte-americanas de São Francisco e de Cornell.

Experimental evidence of massive-scale emotional contagion through social networks


É verdade que, no registo, o Facebook avisa que “may use the information we receive about you…for internal operations, including troubleshooting, data analysis, testing, research and service improvement.” mas não é, de certeza, para dar permissão para nos transformar em ratinhos de laboratório que clicamos no “Aceitar”.

E as consequências? Somos seres sociais que interagimos, influenciamos e somos influenciados pelos nosso pares e referenciais. Será que ninguém alterou a sua vida e/ou a vida de outros por causa da influência do seu mood provocado pelo que estava a ler dos seus contactos e links?

Vale tudo? Porque é que o Facebook, sendo tão grande e com tanto músculo financeiro, não reuniu um painel, um focus group com milhares de voluntários para fazer isto?

Há linhas que, só porque podem, não devem ser atravessadas e o Facebook acabou de atravessar uma.

Para além da questão ética e moral, a partir deste momento quem pode realmente confiar no que aparece na sua timeline? Quem não se vai interrogar “hoje está tudo tão negativo, será que…”

O estudo está disponível para consulta AQUI