terça-feira, 1 de julho de 2014

O dia em que o Facebook fez de Deus

O Facebook recentemente brincou connosco. A sério. Muito a sério.

Simplesmente, em nome de um estudo comportamental que queria fazer acerca da sua própria influência na vida dos seus utilizadores, manobrou os posts que apareciam na timeline de 689,003 utilizadores, sem o seu conhecimento, de modo a que a uns só aparecessem posts emocionalmente negativos e a outros posts emocionalmente positivos.
E depois ficou à espera para ver o que essas “cobaias” escreviam nos seus próprios murais, para verificar se os seus posts reflectiam essa negatividade ou positividade a que estavam sujeitos.

Este estudo durou uma semana, decorreu em 2012 e foi levado a cabo pelo próprio Facebook em colaboração com as universidades norte-americanas de São Francisco e de Cornell.

Experimental evidence of massive-scale emotional contagion through social networks


É verdade que, no registo, o Facebook avisa que “may use the information we receive about you…for internal operations, including troubleshooting, data analysis, testing, research and service improvement.” mas não é, de certeza, para dar permissão para nos transformar em ratinhos de laboratório que clicamos no “Aceitar”.

E as consequências? Somos seres sociais que interagimos, influenciamos e somos influenciados pelos nosso pares e referenciais. Será que ninguém alterou a sua vida e/ou a vida de outros por causa da influência do seu mood provocado pelo que estava a ler dos seus contactos e links?

Vale tudo? Porque é que o Facebook, sendo tão grande e com tanto músculo financeiro, não reuniu um painel, um focus group com milhares de voluntários para fazer isto?

Há linhas que, só porque podem, não devem ser atravessadas e o Facebook acabou de atravessar uma.

Para além da questão ética e moral, a partir deste momento quem pode realmente confiar no que aparece na sua timeline? Quem não se vai interrogar “hoje está tudo tão negativo, será que…”

O estudo está disponível para consulta AQUI

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